Neste encontro a prima Carina relembrou duas velhas lenga - lengas que o seu avô, o tio Ernesto, lhe ensinou em pequenina. Por as mesmas terem sido ensinadas pelo avô António, aqui fica para recordação de todos:
Era uma vez uma velhinha
Quase cega, coitadinha!
Já mal podia andar,
Encostada ao seu bordão,
Olhando sempre para o chão.
Ia na estrada a passear,
Ouviu um cão que ladrou;
A pobrezinha parou,
Olhando em roda, assustada!
Nisto apareceu uma menina,
Viva, formosa, ladina,
Que, ao vê-la caída no chão,
Carinhosa deu-lhe a mão:
“Eu a levanto avozinha
E a levo à sua casinha.
O que lhe dói? O que tem?
Que eu peço à minha mãe.”
- Não foi nada, meu amor,
Tu és um anjo, uma flor;
Ajuda-me só a andar.
Deus pague tua bondade,
Com muita felicidade
- Diz a velhinha a chorar.
*-*-*-*-*-*-*
Era uma velhinha muito velhinha
que subia o o monte, descia o monte,
Queres que te conte?
(e a lenga - lenga repete sempre que respondem que sim)
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